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sábado, 14 de maio de 2011

Homo Sapiens = 11 bolas de ténis



O cérebro humano encolheu em 30.000 anos e o fenómeno intriga antropólogos, cuja maioria aposta mais na hipótese de se tratar de um efeito da evolução face a sociedades mais complexas, do que de um sinal de embrutecimento.
De acordo com a France Presse, que cita trabalhos científicos recentes, ao longo de 30.000 anos o volume médio do cérebro do homem moderno – homo sapiens – diminuiu cerca de 10 por cento, de 1.500 para 1.359 centímetros cúbicos, o equivalente a uma bola de ténis.
As medidas foram feitas a partir de cérebros encontrados na Europa, no Médio Oriente e na Ásia, explicou o antropólogo John Hawks, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
"Chamo a isto uma redução essencial e uma piscadela de olho à evolução", declarou o especialista numa recente entrevista à revista ‘Discover’.
Segundo alguns antropólogos, tal redução não é assim tão surpreendente, na medida em que quanto mais forte e musculado mais tempo leva a inteligência a controlar essa massa.
O homem de Neandertal, um ‘parente’ do homem moderno desaparecido há 30.000 anos por razões ainda não totalmente clarificadas, era mais forte e tinha um cérebro maior. O homem Cro-Magnon, que pintou as paredes da caverna de Lascaux há cerca de 17.000 anos, foi o Homo Sapiens com maior cérebro. Era igualmente mais forte do que os seus descendentes.
"Tais recursos eram necessários para sobreviver num ambiente hostil", sublinha David Geary, professor de psicologia da Universidade de Missouri (Estados Unidos) e autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do cérebro humano ao longo dos anos.
Partindo desta constatação, o investigador estudou a evolução da dimensão do crânio, no período compreendido entre há 1,9 milhões e 10.000 anos atrás, e como os nossos antepassados viviam em processos sociais mais complexos.
Partiu do princípio de que uma maior concentração humana era importante, pois haveria maior intercâmbio entre grupos, maior divisão de trabalho e interações mais ricas entre os vários indivíduos.
O investigador constatou igualmente que o tamanho do cérebro diminuía quando a densidade populacional aumentava.
"De facto, na emergência de sociedades mais complexas, o cérebro humano tornou-se mais pequeno porque os indivíduos não têm a necessidade de tanta inteligência para sobreviverem, são ajudados pelos outros", explica David Geary.
Contudo, esta redução do cérebro não quer dizer que os homens modernos são mais idiotas do que os seus ancestrais. Desenvolveram foi outras formas de inteligência mais sofisticada, insiste, por seu lado, Brian Hare, professor adjunto de antropologia na universidade de Duke (Carolina do Norte).
O especialista faz ainda um paralelo entre os animais domésticos e os selvagens. Assim, os lobos de Alsácia (pastor alemão) têm um cérebro mais pequeno do que o dos lobos, mas são mais inteligentes e sofisticados porque compreendem os gestos de comunicação entre os homens.
"Isto mostra que não há relação entre o tamanho do cérebro e o quotidiano intelectual", que se define sobretudo pela capacidade de induzir e criar, insiste Brian Hare.
Cita ainda o exemplo dos chimpanzés, agressivos e dominadores, que têm um cérebro maior do que os macacos bonobos, mais ‘civilizados’ pois utilizam a simulação do ato sexual ou acasalamento para resolver os conflitos.

Podemos então concluir, segundo os meus cálculos, que cada actual Homo Sapiens tem no seu crânio uma capacidade de armazenamento de cerca de 11 bolas de ténis.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Parkinson
















Que genes interferem na inversão do desenvolvimento de uma célula?
Como manipular células para produzir neurónios suficientes na busca para a cura da doença de Parkinson?
Como antecipar o funcionamento das células do osso na reacção a uma prótese dentária?
Sílvia Barbeiro, Liliana Bernardino e Joana Marques vão procurar dar respostas com a ajuda do prémio das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência.
Os prémios irão ser atribuídos hoje às três investigadoras, na Academia das Ciências de Lisboa.
Este ano, foram parar às mãos de cientistas com projectos que podem ter um impacto positivo no avanço da medicina.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

The Art of Noise

















Luigi Russolo, pintor e compositor futurista, contemporâneo de Marinetti, foi o primeiro a reconhecer que o ruído era um elemento essencial da sociedade industrializada do século XX. Em 1913, publicou L'Arte dei Rumori ( A Arte do Ruído) lançando as bases para a música industrial dos anos 70 e 80.
Nesse manifesto artístico, Russolo refere que, a partir do início do século XX, o ruído começou a ser parte integrante do quotidiano, com as fábricas, os meios de transporte e outras máquinas. Estes ruídos da vida contemporânea deveriam ser incluídos na linguagem musical convencional.
Russolo criou um conjunto de máquinas e instrumentos de fazer ruído, a que deu o nome de Intonarumori.
A partir desta revolução estética, o ruído foi utilizado por muitos compositores e nos mais diversos géneros musicais.
Em 2009,o músico Mike Patton experimentou as sonoridades específicas de intonarumori, reconstruídas por Luciano Chessa.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Wunderkammer



















Na Europa do Renascimento, surgiu a moda dos gabinetes de curiosidades – colecções enciclopédicas de objectos cuja categorização estava ainda por definir. Na actualidade, esses objectos são integrados na história natural (por vezes, falsificações), geologia, etnografia, arqueologia ou ainda considerados como relíquias e antiguidades.
Designados em alemão por Kunstkammer ou Wunderkammer , eram vistos como um microcosmos ou um teatro do mundo e da sua memória. Muitos governantes e aristocratas usavam-nos como propaganda; símbolo do seu poder e controlo sobre o cosmos. Também alguns burgueses e os primeiros “cientistas” tinham colecções que se tornaram, de certo modo, precursoras dos museus.
Na época vitoriana, faziam furor os Cabinets of Curiosities ou Cabinets of Wonder, exibindo espécimes naturais, fósseis, artefactos e bizarrias.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Humboldt n' América


Entre 1799 e 1804, o explorador, geógrafo e naturalista alemão Alexander von Humboldt viajou pelas Américas, explorando-as e descrevendo-as pela primeira vez de um ponto de vista científico.
Nos cinco volumes da sua obra Kosmos, procurou elaborar uma descrição física do mundo.
A 6 de Janeiro de 1802, Humboldt chegaria a Quito, Ecuador.
Deixo a imagem de uma ilustração sua, de uma planta que encontrou naquelas paragens.

sábado, 27 de novembro de 2010

Analematiquemo-nos

Como funciona um Relógio de Sol?
















Este, cuja imagem aqui deixo, é um analemático.
Analema é uma linha curva, fechada, resultante da união de vários pontos correspondentes à extremidade da sombra de um objecto, em diferentes horas do dia, ao longo do ano. O observador colocará os pés sobre o traço correspondente ao mês em que fizer a observação, para que a sua sombra atinja uma escala em que estão marcadas as horas, podendo assim registar o momento da sua experiência.
O Analema evidencia ainda as diferentes alturas atingidas pelo Sol e os desvios da hora solar ao longo do ano, factos que na abordagem de temas relacionados com as estações do ano e a medição do tempo podem servir para relacionar áreas diversas da Astronomia.
No Centro de Ciência Viva de Constância podemos visitar um.
Analematiquemo-nos, pois, ao ar livre, porque dá saúde, bronzeia e torna-nos pontuais.

sábado, 23 de outubro de 2010

Self Service

Um dos maiores mistérios da natureza está dentro da cabeça de cada um de nós. Do nosso Self. Como é que o nosso cérebro gera a consciência? Como consegue articular a nossa percepção do mundo com o nosso sentir do mundo e de nós próprios? Como fabrica subjectividade, esse atributo exclusivamente humano da mente consciente?
O neurocientista português António Damásio tem dedicado a vida ao estudo das bases biológicas da consciência e do papel das emoções na consciência, na tomada de decisão ou no sentido moral. Áreas que eram consideradas totalmente inacessíveis aos métodos da experimentação no laboratório. Para António Damásio, coisas à partida tão distantes da ciência “dura” como a música ou as artes são na realidade indissociáveis da problemática das bases neurais da consciência: como explicar de outra forma de onde nos vem essa nossa tão natural capacidade de nos emocionarmos com uma peça de Bach, com uma paisagem, ou com o azul do mar?
No início deste mês o cientista passou por Lisboa e lançou o seu último livro, O Livro da Consciência.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Galileu em Júpiter, com aceleração em Vénus


A sonda espacial Galileu saiu para o espaço há 21 anos com a finalidade de estudar o planeta Júpiter e as suas luas.
Foi lançada a 18 de Outubro de 1989 no vaivém espacial Atlantis.
Já no espaço, ao passar pela órbita de Vénus, a sonda ganhou aceleração graças à força da gravidade daquele planeta.
Após uma longa viagem de seis anos pelo espaço, chegaria a Júpiter no dia 7 de Dezembro de 1995, em cuja órbita se deslocou durante oito anos a analisar o planeta.
A 21 de Setembro de 2003, a missão Galileu foi dada por encerrada ao enviar a sonda à velocidade de 50 Km/s na direcção da densa atmosfera de Júpiter, para garantir que nenhuma lua local pudesse ser contaminada com microrganismos da Terra.