domingo, 24 de junho de 2012

Terraferma

A Percepção recomenda o filme Terraferma, de Emanuele Crialese.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O patrão deve estar louco

Dedico este post aos funcionários de uma conhecida cadeia de supermercados e ao esforço por eles despendido, no dia de ontem, Dia do Trabalhador.


Superdiscount - Le patron est devenu fou por Differentrecordings

segunda-feira, 30 de abril de 2012

FCP CAMPEÃO

A Percepção dá os parabéns ao Futebol Clube do Porto pela conquista do campeonato nacional de futebol de 2011/2012.
Se já ninguém tinha dúvidas que o FCP é realmente o maior e melhor clube português, não só dos últimos 30 anos mas da actualidade, o 71º título conquistado torna-o o clube nacional com maior e mais relevante palmarés.
Dá mesmo que pensar se os portugueses em geral não deveriam começar a reflectir um pouco mais nos seus índices de felicidade e aderir ao espírito portista, já que o FCP é na verdade o único clube português a dar alegrias à nação e a dar uma imagem internacional de sucessos e competitividade desportivos.
O que não é de estranhar, já que é ao Porto que a nação deve o seu nome e que é também ao Porto que a nação deve a frota dos descobrimentos e os mantimentos que a rechearam. Orgulhem-se assim todos os portugueses dos tripeiros que com sacrifício (espírito vencedor já da época) deram o seu sangue e a sua carne para as aventuras e conquistas nacionais mais além.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Regra do Jogo

Adivinham-se tempos difíceis:
a obsessão apoderou-se das tribos;
uma vírgula pode ser um crime,
a ameaça esconde-se numa frase incompleta.
Os jornais encheram-se de notícias peregrinas,
os editoriais ponderam. Murmura-se
nas fileiras, a especulação prospera.
Com um salário que é como mau tecido,
depois da primeira lavagem, o funcionário público
poupa na fruta, no tabaco, no queijo. Amanhã,
de comboio, a História enfrentará o seu destino,
ou, pelo menos, uma cópia que levará tempo
(medido em lustros) a rasurar.

José Alberto Oliveira (n.1952)


The Gold Rush 1925

domingo, 19 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Jornais que deviam ser recuperados só pelo título

Almocreve das Petas - Lisboa, 1798
Besta Esfolada - Lisboa, 1828
Distribuidor de Carapuças - Lisboa, 1864
Martelo Político - Lisboa, 1822
Matraca - Lisboa, 1847
Metralhadora - Porto, 1871
Noticiador Conciso - Coimbra, 1823
Pândego - Lisboa, 1857
Pêga - Lisboa, 1845
Piparote - Lisboa, 1865
Punhal dos Corcundas - Lisboa, 1824
Sapateiro Espreitador - Lisboa, 1855
Torniquete - Lisboa, 1863
Tripa Virada - Lisboa, 1823
Trombeta Final - Lisboa, 1828
Zacuto Lusitano - Lisboa, 1849

Ardina na Lisboa de 1909

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Alguns Provérbios e Não - Mário Cesariny

Pão a cozer - menino a ler
Mulher francesa - toalha na mesa
Vinho no copo - bandeira no topo
Menino esperto - Barquinho en el puerto
Homem pelintra - queijadas de Sintra
Neo-realista - ó ver a lista
Comida no papo - ária de sapo
Grande caçada - lua encarnada
Mão de três dedos - longos segredos
Gente que berra - marinheiro em terra
Mesa de pinho - carapauzinho
Água a correr - é de endoidecer
Muitos aviões - coçam-se os tufões
Homem roubado - boi encarnado
Primo penetra - etc.,etc.
Enterocolites - Frederico Nites
Rato esquimó - eduardó
Tabaco havano - extraordinariamente bacano
Americana - farafangana
Peles de coelho - vício velho
Mar agonie - assim é que é
Meretriz - roupinho fua
Pevide a ler - não pode ser
General Franco - sal tim tim banco
Láráritutátátzing - coistading


publicado em Antologia do Cadáver Esquisito (Assírio & Alvim, 1989), organizada por Mário Cesariny, com textos de Alexandre O'Neill, António Maria Lisboa, Cruzeiro Seixas, Ernesto Sampaio, Herberto Helder, Alfredo Margarido e José Sebag, entre outros.

"Cadavre Exquis", técnica comum entre os surrealistas, pretendia subverter a linguagem recorrendo ao "acaso objectivo".

Sem medos

domingo, 15 de janeiro de 2012

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uma história para a Noite das Bruxas - O Bicho Cidrão

 
   O som é aterrador e toma conta do corpo e do espírito de quantos o ouvem, num misto de desassossego e angústia, num desejo de fugir e de ficar, numa ânsia indizível de despenhamento. Parece um uivo mas é também um grito, profundo e rouco que devia vir das entranhas da terra mas surge inesperado do alto da serra. São centenas de gargantas escancaradas e escarpadas gemendo alto uma dor qualquer que é natural, e por isso mesmo, sem tempo e sem fuga. (...)
   O Pico Cidrão é uma serra quase inacessível ao homem. Habitam-no o vento e a águia. Constituído por rocha basáltica, negra e dura, é todo ele recoberto de cavernas abertas como bocas escancaradas.
   Conta-se que há tempos habitou aquelas paisagens abruptas e quase inexpugnáveis um pastor. Esse homem tinha um cão que era o único e fiel amigo de muitas solidões. Habituado àquelas lonjuras feitas de escarpas, o cão tornara-se quase tão bom saltador quanto as cabras que guardava.
   Um dia, recolhia o pastor o seu rebanho, o cão, que andava atrás de um animal extraviado, calculou mal o salto e despenhou-se no vácuo, resvalando de escarpa em escarpa. Rolou; rasgou-se nas lâminas de pedra num uivo de dor imensa e acabou sendo ele mesmo um pouco de cada rocha.
   Como sempre ante o irremediável, o ser humano segue um de dois caminhos: ou se fecha num castelo inexpugnavelmente seco e silencioso, ou retribui à Natureza o golpe inexplicável e sempre tão aparentemente inútil que é a morte, num grito feroz de lágrimas.
   E o pastor fez-se eco do uivo do cão:
   - Que mãe és tu, que me rouba o irmão, o amigo!...
Tu, que tudo me tens negado, tu, vens tirar-me o companheiro da minha vereda!! Maldita sejas! Maldita... e só, para sempre! Ah! Antes o tivesse um dia oferecido ao Demo!...
   O vento tomou conta do uivo e da maldição, e das palavras fez sibilações. Enquanto o pastor viveu, guardou-as nas cavernas do Pico, escondidas e secretas, onde só a águia penetrava para as limpar da poeira do tempo. Quando, por fim, o pastor se foi juntar ao companheiro de outrora, o vento ordenou à águia que soltasse o uivo e a maldição que num eterno jogo de escondidas habitam desde então as alturas do Pico Cidrão.
   Dizem as gentes da região que aquele grituivo aterrorizante provém do ser híbrido e demoníaco que são os espíritos dos dois amigos, finalmente um só, o Bicho Cidrão.

in Lendas de Portugal, de Fernanda Frazão



Meredith Monk - Lost Wind

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lacrimosa


Lacrimosa de Zbigniew Preisner com imagens do filme "A Árvore da Vida" de Terrence Malick

sábado, 13 de agosto de 2011

H.G.Wells

Hoje assinalam-se 65 anos da morte de H.G.Wells, considerado um dos fundadores da ficção científica.

H.G.Wells nas filmagens de Things to Come (1936).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Engenho e Arte

Em havendo olhos maus, não há obras boas.

Padre António Vieira



Les trois inventeurs, de Michel Ocelot, 1980

terça-feira, 19 de julho de 2011

Manias!

Para assinalar os 125 anos da morte de Cesário Verde:


Manias!

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!

domingo, 17 de julho de 2011

Hardboiled Detective

Neste dia, há 6 anos, morria Mickey Spillane, escritor norte-americano de policiais, um dos mestres da chamada pulp fiction. Spillane também foi piloto de combate na 2ª Guerra, instrutor de voo, escritor de BD e actor - tendo chegado inclusive a representar o seu próprio herói literário - Mike Hammer - no filme The Girl Hunters (1963).
Deixo aqui um clip de Mike Hammer, representado por Darren McGavin, na série televisiva dos anos 50, bastante mais interessante, na minha opinião, do que aquela protagonizada por Stacey Keach, nos anos 80.