domingo, 26 de junho de 2011

Calor

O sol a prumo sobre a praça parada...

As janelas têm as portadas fechadas à quentura.
Dentro das casas a vida está suspensa.

À sombra abafada de uma árvore,
um cão vagabundo dormita estendido,
e garotos brincam pacíficos e silenciosos.

Detrás dos balcões das casas comerciais,
os caixeiros bocejam e enxotam as moscas,
enquanto os patrões lêem os jornais e bocejam,
passando os lenços pelas frontes suadas.

Na torre da igreja, o relógio atrasado
dá uma hora vaga que ninguém espera...

A água cai do chafariz inútil...

Alberto de Serpa (1906-1992)








Emmerico Nunes (1888-1968), Sines, 45º à sombra

Há 192 anos, a 26 de Junho de 1819, a Bicicleta era patenteada.
Ficheiro:Bicycle evolution-numbers.svg

sábado, 25 de junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Corpus Christi

























Jacob Jordaens (1593-1678), A Veneração da Eucaristia, c.1630

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Happiness

Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber.



Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 21 de junho de 2011

O existencialista

No dia 21 de Junho, em 1905, nascia o filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre.

























"O homem não é nada mais do que aquilo que faz de si próprio."

sábado, 18 de junho de 2011

pequenas memórias

de José Saramago (16 de Novembro 1922 - 18 de Junho 2010)

(...) No lado direito do mesmo andar (ainda não saímos da Rua Padre Sena Freitas) morava uma família composta de marido e mulher, mais o filho de ambos. Ele era pintor numa fábrica de cerâmica, a Viúva Lamego, ali ao Intendente. A mulher era espanhola, não sei de que parte de Espanha, chamava-se Carmen, e o filho, um garotito loiro, teria, por esta altura, uns três anos (é assim que eu o recordo, como se nunca tivesse crescido durante o tempo que ali vivemos). Éramos bons amigos, esse pintor e eu, o que deverá parecer surpreendente, uma vez que se tratava de um adulto, com uma profissão fora do comum no meu minúsculo mundo de relações, enquanto eu não passava de um adolescente desajeitado, cheio de dúvidas e certezas, mas tão pouco consciente de umas como das outras. O apelido dele era Chaves, do nome próprio não me lembro, ou nunca o cheguei a saber, para mim foi sempre, e apenas, o Senhor Chaves. Para adiantar trabalho ou talvez para cobrar horas extraordinárias, ele fazia serão em casa, e era nessas alturas que eu o ia visitar. (...) Eu gostava de o ver pintar os barros, cobertos de vidrado por fundir, com uma tinta quase cinzenta que, depois da cozedura, se transformaria no conhecido tom azul deste tipo de cerâmica. Enquanto as flores, as volutas, os arabescos, os encordoados iam aparecendo sob os pincéis, conversávamos. (...) um dia levei-lhe uma quadra ao jeito popular que ele pintou num pratinho em forma de coração e cuja destinatária seria a Ilda Reis, a quem começara a namorar. Se a memória não me falha, terá sido esta a minha primeira "composição poética", um tanto tardia, diga-se em abono da verdade, se pensarmos que eu ia a caminho dos dezoito anos, se não os havia cumprido já. Fui felicitadíssimo pelo amigo Chaves, que era de opinião que deveria apresentar-me a uns jogos florais, esses deliciosos certames poéticos, então muito em voga, que só a ingenuidade salvava do ridículo. O produto do meu estro rezava assim: "Cautela, que ningúem ouça / O segredo que te digo: / Dou-te um coração de louça / Porque o meu anda contigo." Reconheça-se que eu teria merecido, pelo menos, a violeta de prata... (...)

José Saramago, As Pequenas Memórias, Caminho, 2006 (texto com supressões)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Catarse

Jeanne d' Arc

Neste dia, há 682 anos, Joana d' Arc vencía a Batalha de Beaugency.

Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine?
Mais où sont les neiges d'antan?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Odisseia

Entre ontem e hoje, Leopold Bloom vive a sua odisseia.
Deixo a imagem da capa da 1ª edição, em 1922.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eclipse

Hoje, por volta das 21.15h, surgirá a Lua Cheia, mas eclipsada. Tendo já entrado na penumbra a partir das 18.20h, por volta das 22h termina o seu eclipse total. O Observatório Astronómico de Lisboa tem entrada livre, a partir das 20.30h, para todos aqueles que quiserem assistir ao fenómeno e ouvir as explicações dadas pelos astrónomos.

Festival de Sintra

No próximo dia 24 de Junho, abre a 46ª edição do Festival de Sintra. Este ano são evocados Franz Liszt (bicentenário do nascimento) e Gustav Mahler (centenário da morte) - figuras importantes do Romantismo musical do séc. XIX. De assinalar ainda o destaque dado ao português José Vianna da Motta (1868 - 1948), discípulo da escola pianística de Liszt.

terça-feira, 14 de junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

Manguito



Faz hoje cento e trinta e seis anos que apareceu pela primeira vez a figura do Zé Povinho, criada por Rafael Bordalo Pinheiro, na revista Lanterna Mágica.
Acerca desta figura referiu João Medina em "O Zé Povinho, caricatura do Homo Lusitanus":
"Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente."

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pomonas Camonianas

Mil árvores estão ao céu subindo,
Com pomos odoríferos e belos:
A laranjeira tem no fruto lindo
A cor que tinha Dafne nos cabelos;
Encosta-se no chão, que está caindo,
A cidreira com os pesos amarelos;
Os formosos limões ali, cheirando,
Estão virgíneas tetas imitando.
(...)
Os dons que dá Pomona, ali Natura
Produz diferentes nos sabores,
Sem ter necessidade de cultura,
Que sem ela se dão muito melhores:
As cerejas purpúreas na pintura,
As amoras, que o nome têm de amores,
O pomo que da pátria Pérsia veio,
Melhor tornado no terreno alheio.

excerto do Canto IX, "A Ilha dos Amores", d' Os Lusíadas

Para este fim de semana prolongado, sugiro uma ida a Constância para assistir à 16ª edição das Pomonas Camonianas. As comemorações do Dia de Camões em Constância recriam uma feira quinhentista com especial destaque para os frutos e flores referidos na obra do Poeta. Pomona era a deusa dos frutos e dos pomares, frequentemente evocada por Camões nas suas estrofes. O evento incluirá também espectáculos de música e teatro.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Excesso de roupa

Selecção de futebol feminino do Irão foi proibida de ir aos Jogos Olímpicos














A equipa iraniana de futebol feminino foi banida pela FIFA dos Jogos Olímpicos de 2012, por estar demasiado tapada em termos de vestuário. É tudo uma questão de pescoço e orelhas que, segundo a FIFA Woman's Association, devem estar sempre destapados.
Essa regra colide, no entanto, com os preceitos religiosos do Irão, onde as regras islâmicas de vestuário feminino impõem às mulheres que tapem as orelhas e o pescoço, no fundo, a quase totalidade da cabeça.
O Irão vai apresentar queixa desta decisão à FIFA.

sábado, 4 de junho de 2011

The Tree of Life

A segura genialidade de um cineasta de eleição: my own "special one".
Despertou-me com Days of Heaven há 28 anos, conquistou-me com The Thin Red Line há 13 anos e com The New World há 6 anos tornou inequívoca e arrebatadora a dimensão (qualitativa) da sua obra e do seu olhar ímpar e especial.
The Tree of Life -- ou da transcendência -- algo que, no actual remate da sua obra, de quem vê, se sente ou não, se percebe ou não, e certamente não se explica.
Terrence Malick continua a dar razões para o cinema verdadeiro não morrer.
Obrigatório ver.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

iupi

Iupiiiiiiiiiiii... vêm aí as eleições.
Como estou contente por isso, apetece-me ouvir isto: